A onda dos seriados

How i meet your mother, Lost, House, 24 horas, Prison Break, Grey’s Anatomy… Caros Anormais são tantos seriados fazendo ou que fizeram sucesso nos últimos anos que não pude ignorar a importância deles na cultura brasileira e… costa riquenha. Sim, vocês vão entender porque citei a Costa Rica.

Mas antes, vamos falar desse sucesso estrondoso que teve seu “booom” no Brasil após 2005, com a mega popularização de Lost e graças à internet. Lost foi o precursor dos seriados “baixados”, afinal com o advento da internet e as poderosas conexões norte americanas, logo na rede havia episódios novos e foi uma loucura jamais vista no país, afinal começaram a acusar de pirataria, muitos donos de sites foram presos e por aí vai.

No entanto não é sobre os Direitos Legais dos seriados que quero falar e sim sobre a sua espantosa popularização. Lost foi só o começo… depois várias outras séries ganharam seu espaço e começaram a se tornar popular no Brasil e com o detalhe: Agora TODOS poderiam ver, não só os assinantes de TV à cabo.

Com o crescimento na população dos maníacos por séries, o mercado publicitário começou a perceber um novo público e então passou a pressionar as emissoras abertas à exibir séries em horário nobre( antigamente os seriados SÓ passavam na madrugada) e então muita gente teve oportunidade de ver em 4 das 5 grandes emissoras do país seriados como Trauma, Smallville, Dexter, CSI, House e outros grandes sucessos em horários compatíveis com seu sono. Porém grande parte da população não abraçou a ideia e mesmo ainda muitos canais passando seriados em horários nobres, nenhum se “firmou” como queridinho da população no geral.

Isso provou que o público dos seriados é a “galera da nova geração” os mais jovens, a geração internet que cresceu e aprendeu a ver seriados. Claro que temos fãs de seriados de todas idades, mas não o suficiente para prender um seriado na grade nobre da TV por muito tempo. Só que esse público brasileiro viciado em seriados a cada dia aumenta e hoje passa dos milhões. Há comunidades inclusive de seriados que possivelmente nunca passarão no Brasil, muito menos no horário nobre, que têm mais de 50 mil pessoas e cresce a cada dia. Grandes seriados como Lost, Heroes, passam dos 200 mil.

E esse amor ao seriado cria dezenas de comunidade diárias e com isso gera um grupo que ama tanto que até legenda os seriados para a população em geral poder ter o prazer de desfrutar da obra de arte da TV americana. É Anormal isso, mais de 200 seriados são legendados por fãs brasileiros atualmente, incluindo seriados antigos como Seinfeld e Married with children.

Eu como fã de seriados não poderia ignorar isso e procurei entender, conversando com três pessoas também fãs de seriados, o que eles pensavam sobre esse sucesso todo dos seriados.

O primeiro entrevistado foi o acadêmico de Ciências da Computação da UFMT, Leonardo da Silva Sousa, 21 anos, morador de Barra do Garças-MT. Os seriados preferidos dele são: Grey’ anatomy, glee, the vampires diaries e how i met your mother. Ele acredita que a internet foi a grande disseminadora das séries. Pois antes dela a grande maioria da população estaria amarrada à TV aberta e sua programação fixa, então a internet mudou isso.

Ele tem a convicção que as séries não se tornam populares entre o “povão” porque “…a população em geral está acostumado com aquela mistura de drama que nos é apresentado no Brasil, isso se deve principalmente as novelas que são transmitidas aqui, então qualquer coisa que fuja dessa cena pitoresca, a população não consegue engolir.” E o fato da dublagem das séries não afeta muito sua audiência, afinal o povão precisa delas. Toda essa popularização no entanto não ilude Leonardo, pois pensa que séries substituindo novela, ainda é um sonho muito distante.

Muitos atores se tornaram bastante famosos com os seriados, mas poucos famosos, os chamados artistas A, entram em seriados e para Leonardo “Ainda vai demorar pra termos atores do lado “A” protagonizando os seriados, pois pensando pelo lado economico, fazer filmes é bem mais rentavel do que seriados…” Ele ainda aponta a má qualidade dos seriados brasileiros, mas mostra um crescimento no setor, citando o seriado “Clandestinos” da Rede Globo como um bom seriado.

Finalizando a conversa descontraída com Leonardo, ele ainda disse que os seriados podem proporcionar grande conhecimento de vida para a pessoa e também um elevado conhecimento cultural, ajudando a melhorar seu inglês e ainda a conhecer lugares de outros países sem precisar sair de casa. O seriado que mais trouxe conhecimento para ele foi Lost, pois tinha uma rica linguagem científica.

Na conversa dinâmica com a entrevistada Tássia Stoduto, 16 anos, moradora do Rio de Janeiro que freqüenta o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Maria Raythe, senti uma fã de seriados que também valoriza o mercado nacional. Mas vamos começar do começo. Fã dos seriados: Glee, Friends, Ugly Betty e Gossip Girl, ela acredita que a internet foi fundamental na propagação das séries no mercado nacional, porém mesmo sem ela, ainda crê que seriam populares devido à pedida dos canais abertas em exibir programação variada. Sobre a não popularização dos seriados entre o “povão” ela afirma que isso se deve às próprias emissoras “… porque a mídia os estimula a assistir esse tipo de programação e não oferece uma propaganda tão forte e influente como as que oferece para seus próprios progamas e novelas.” E por isso não crê que um dia os seriados irão tomar o lugar das novelas na TV Aberta.

Falando dos seriados nacionais, Tássia afirma: “Algumas séries brasileiras são muito boas e bem feitas…no Brasil o povo tem uma realidade distinta, não teria como fazer uma série brasileira com o mesmo tipo de ideias da população americana.”

Afirma que a escolha do elenco de um seriado, depende exatamente do seriado, pois existem seriados com reconhecidos atores de Hollywood e outros com os chamados “iniciantes” ou os atores “B”. Tássia assiste os seriados mais por entretenimento, afinal, dentre os que ela vê nenhum ainda lhe passou algum conhecimento ou mesmo uma mensagem para levar para a vida. Porém destacou um seriado brasileiro que marcou sua vida: Maysa. “Mostrou a vida de uma pessoa que se mostrou forte, que conseguiu realizar seu sonho independente dos outros e que correu atrás do que quis, e isso pode servir de exemplo pra todos os que assistiram a série. Além disso teve uma importância cultural, já que Maysa foi um grande ícone da música brasileira.”

Também foi entrevistada uma fã da Costa Rica. Sim, Anormal sempre mostrando que está apto para todas as pessoas, de todos países( mesmo tendo matérias por enquanto só em português) e entrevistei Priscilla Sánchez Castro de 27 anos, que mora em San José, Costa Rica e é graduada em… É caros Anormais, agora vem a lista do tanto de coisas que ela é graduada: Em Comunicação- Bacharelado em Jornalismo e Licenciatura em Produção Audiovisual pela Universidad Latina de Costa Rica; Administração pela Universidad Estatal a Distancia e está cursando Comércio Exterior pela Universidad de San José. Além de falar inglês, português, francês… fora o seu idioma nativo, o espanhol claro. Com esse vasto currículo ainda sobra tempo para seu grande vício: Seriados.

O papo com Priscilla foi super instrutivo, afinal assim como os seriados nos mostram a cultura a americana, nossa amiga costa riquenha tentou mostrou um pouco da cultura midiática de seu país. Fã de inúmeros seriados entre eles: Seinfeld, Frasier, That 70s show, Will and Grace, The Big Bang Theory, Two and half man, Curb your enthusiasm e Old Christine. Quando perguntada sobre a ajuda da internet na popularização das séries, ela falou algo que eu realmente não esperava: “Na Costa Rica, a maior parte das pessoas tem TV a cabo ou satelite assim nós não precisamos de Internet. Eu gosto de seriados porque eu falo inglês, assim eu não preciso de legendas mas as pessoas que tem só TV nacional, poucas tem Internet e na TV nacional os seriados são dublados em espanhol.” E disse também que os seriados lá são todos mudados o nome( alguma semelhança com SBT?) e Lost por exemplo é conhecido lá como “Perdidos” e que assim como no Brasil, na TV Aberta os seriados são dublados. E para ela os seriados de comédia perdem a graça quando são dublados, pois as piadas perdem muito do sentido. Costa Rica produz seriados nacionais, porém só são vistos por pessoas que não tem TV à cabo e a qualidade não é nivelada com os americanos porque lá as TVs não tem tanto dinheiro para investir e os seriados que fazem mais sucessos são os de humor. Em seu país os seriados que são mais populares são: Two And half men, CSI, Desperate Housewives, Dr. House. E a turma adolescente prefere os voltados para sua idade como 90210, Gossip Girl e Melrose Place.

Na Costa Rica também passa muitas novelas, destacando as dramas mexicanas, brasileiras e colombianas. E em uma comparação entre as duas Priscilla foi categórica “As novelas são mais rentáveis que os seriados, as novelas vendem muito tempo, então os canais nacionais preferem novelas para vender espaços de publicidade.” Na Costa Rica, o “boom” da internet não foi tão sentido como no Brasil, em relação as séries, pois lá os seriados sempre tiveram uma ótima aceitação do público e o sucesso garantido, clássicos como: 90210, Melrose Place e Wonders Years ficaram marcados por gerações. Ah e o clássico mexicano, Chaves( assim como aqui) também foi um fenômeno por lá.

No Brasil, Lost virou lenda, os fãs espalhados pelo país( que baixaram milhões de episódios) elevaram o status da série para “O mundo da TV era um antes de Lost e virou outro após”. Mas na Costa Rica, o seriado Heroes fez muito mais sucesso que Lost. Priscilla disse também que Lost não era assim tão esperada, nunca foi por lá. Perguntada sobre a importância das séries na carreira de um ator, ela ressaltou a importância dela para apresentar o ator ao público, assim como os atores das Disney, entre elas Miley Cyrus e Selena Gomez.

Já no final da nossa conversa, Priscilla revela que os seriados que mais aumentaram seu conhecimento foram CSI e Dr. House. E um fato curioso é que após o sucesso de CSI no país, muita gente começou a estudar Criminalística e antes ninguém se interessava por esse tipo de carreira.

A conversa com os três me mostrou um pouco da importância das séries, que realmente é algo que veio para ficar, afinal é um entretenimento saudável, divertido e educativo muitas vezes. A popularização de várias séries após a chegada da internet no Brasil, mostrou que agora um maior público tem acesso à esse nível de cultura. E na Costa Rica os seriados americanos tem uma influência maior que no Brasil.

Seriados estão se mostrando não ser uma moda passageira e cada vez mais ganha espaço na agenda do brasileiro. Como viram, na Costa Rica também é assim, a globalização permite esse amor de vários povos pela mesma arte. Como é um tema amplo, seriados ainda renderão várias matérias. Então Anormais, quais os seriados que vocês mais curtem?